Boletim do Cordeiro

Recria de caprinos e ovinos para produção de carne


 

 

1. Definição

 

A recria é a fase do sistema de produção que é iniciada após o desmame das crias. O objetivo da recria é melhorar a condição corporal dos animais, preparando-os para o acabamento ou para a reprodução, de acordo com a finalidade da criação.

 

2. Período de recria

 

Não existe uma duração pré-estabelecida para a recria de caprinos e ovinos. No caso de animais para abate, o desejável é que esta fase não exista, isto é, que os animais passem diretamente do desmame para a fase de acabamento. Mas, em situações em que as crias são desmamadas com menos de 15 kg, os animais devem ser submetidos a uma fase de recria até atingirem esse peso.

 

A recria é de suma importância para animais destinados à reprodução, considerando tratar-se de um período preparatório para a incorporação dos indivíduos à fase de produção. Ressalte-se que a idade e o peso em que fêmeas e machos alcançam a puberdade e a maturidade sexual são muito importantes para o desempenho produtivo dos indivíduos.

 

3. Alimentação

 

Embora a fase de recria se inicie após o desmame, é importante considerar que, no transcorrer da fase de produção, os animais sejam manejados para obtenção de crias com peso ao desmame condizente com o potencial genético dos animais das raças ou grupos genéticos em questão.

 

Por tratar-se de ruminantes, a alimentação deve ser baseada, principalmente, em volumosos, os quais abrangem uma grande variedade de alimentos, como forragens verdes e conservadas (feno e selagem). Ressalte-se que estes alimentos devem ser de boa qualidade nutritiva, no sentido de atender aos requerimentos nutricionais desta categoria animal, os quais são elevados. A inclusão de uma leguminosa, a exemplo da cunhã (Clitoria ternatea) ou da leucena (Leucaena leucocephala), como parte da fração volumosa da dieta é uma medida importante, em virtude do elevado teor protéico e da boa palatabilidade destas forrageiras.

 

Outra boa fonte de volumosos, abundantes no Nordeste brasileiro, são os resíduos da agro-indústria frutífera. Com a expansão das áreas irrigadas, a produção de resíduos já representa uma fonte considerável de alimentos de boa qualidade nutricional. O uso de concentrados na exploração caprina e ovina de corte poderá ser adotado porém, unicamente, como complementação da dieta.

 

Independentemente de raça, a decisão de quando cobrir ou inseminar artificialmente as fêmeas pela primeira vez está na dependência direta do peso dessas à puberdade. E, esta é fortemente e diretamente influenciada pelo regime de manejo, isto é, extensivo, semi-intensivo e intensivo e pelas práticas de alimentação-nutrição às quais os animais são submetidos no transcorrer da recria. Outrossim, também, a taxa de ovulação guarda relação estreita com a condição corporal das fêmeas à puberdade.

 

A suplementação mineral é uma prática indispensável, já que, neste caso, é destinada a indivíduos jovens em fase de crescimento, e que estão sendo preparados para serem incorporados à fase de produção ou serem destinados ao acabamento.

 

 

4. Peso e idade à primeira cobertura

A idade e principalmente o peso dos animais são importantes fatores a serem considerados, já que são diretamente relacionados com a economicidade dos sistemas de produção. Assim, a primeira cobertura, das fêmeas, só deve ser permitida quando estas estiverem com, no mínimo, 60% do peso corporal médio à idade adulta, levando-se em consideração as diferenças raciais.

5. Separação por sexo

A separação por sexo irá depender dos objetivos da exploração. No caso de recria de animais para reprodução, a separação por sexo torna-se indispensável, considerando-se que a fase de recria só terminará quando os indivíduos estiverem prontos para a reprodução. Ressalte-se que a não separação dos animais, por sexo, ensejará a ocorrência de coberturas indesejáveis, o que não é interessante, particularmente para os caprino-ovinocultores que fazem seleção. Todavia, no caso de exploração mista de caprinos e ovinos, e que a recria seja procedida a pasto, especialmente em pastagens cuja composição florística seja muito variada, a exemplo da caatinga, a manutenção de animais de sexos diferentes, porém de espécies distintas, é vantajosa, devido a dois pontos principais: primeiro, por reduzir custos com construção de cercas; e segundo, devido ao fato de as duas espécies terem hábitos alimentares diferenciados, em geral não competindo pelas mesmas espécies botânicas. Em geral os caprinos preferem ervas de folhas largas (árvores e arbustos), enquanto os ovinos selecionam de preferência ervas de folhas estreitas (gramíneas) e dicotiledôneas herbáceas. Este aspecto favorece positivamente a produtividade da unidade produtiva. Por outro lado, em explorações onde se usa o cruzamento industrial, o que significa que os animais de ambos os sexos serão levados para o abate em idade precoce, a separação dos indivíduos por sexo poderá ser evitada, porque, embora possam ocorrer algumas coberturas, as mesmas serão interrompidas no início da prenhez.

 

6. Cuidados sanitários

 

O manejo sanitário deve ser essencialmente preventivo. Assim, dois aspectos merecem especial atenção:

 

O primeiro refere-se a higienização das instalações (retirada frequente do esterco), de forma que estas permaneçam sempre condizentes com a boa saúde dos animais.

 

O segundo aspecto relaciona-se com o controle das helmintoses gastrintestinais. Antes de se transferir os animais para a área de recria, os mesmos devem ser vermifugados após submetidos a um jejum prévio de, no mínimo, 12 horas.

 

Em sistemas de recria a pasto, deve-se procurar utilizar áreas que estejam em repouso por um período de 30 a 40 dias. Aumentando-se o período de repouso, poderá ser melhorada a eficácia do controle da verminose, porém, com o passar do tempo, verifica-se uma redução na qualidade da forragem. O bom senso do produtor deve prevalecer, no sentido de ser mantido o ponto de equilíbrio entre estes dois fatores. Uma boa alternativa é o controle periódico do grau de infestação parasitária, através da realização sistemática de exame de OPG (contagem do número de ovos por grama de fezes). Assim, recomenda-se fazer a vermifugação do rebanho quando o nível de OPG for igual ou superior a 500.

Outros cuidados sanitários, como vacinações, devem ser mantidos, de forma a garantir a boa saúde dos rebanhos.

Fonte: Nelson Nogueira Barros

 

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