Boletim do Cordeiro

Raças Ovinas


1. Morada Nova

Origem - A origem da raça não é bem conhecida. Entre os anos de 1937 e 1938, o Professor e Zootecnista Otávio Domingues, visitando o Município de Morada Nova, no Estado do Ceará, registrou a presença de animais deslanados, de pelagem vermelha, queixo curto, olhos pequenos, cascos pretos e o rabo com ponta branca. Nos anos subsequentes foi observada também, a presença, dentre outros, nos municípios cearenses de Crateús, Quixadá, Quixeramobim, Sobral e Tauá e no Estado do Piauí. Em virtude de ter feito a primeira observação em Morada Nova, Otávio Domingues registrou o referido ovino com o nome "Morada Nova".

Características - pêlos curtos, pelagem vermelha sendo a cor branca também aceita. Os machos adultos pesam de 40 kg a 60 kg e as fêmeas adultas de 30 kg a 50 kg. Muito fértil e prolífera. Apresenta boa habilidade materna. Animais rústicos e bem adaptados as condições edafoclimáticas da zona Semi-Árida da Região Nordeste. Pele de qualidade excelente.

Aptidão - Carne e pele.

2. Santa Inês

Origem - Provavelmente, a partir de cruzamentos não planejados de a. - tipos nativos vindos da África b. - cruzamentos de machos da raça Bergamácia com ovelhas Crioulas e Morada Nova, seguido de um período de seleção para ausência de lã. Recentemente, a partir da década de 90, percebe-se na raça Santa Inês a presença de sangue da raça Somalis Brasileira e de raças lanadas, principalmente, a Suffolk.

Características - O padrão racial permite quatro tipos de pelagem, dando margem para animais mestiços serem registrados como pertencentes à raça. Pelagem branca - totalmente branca, sendo permissíveis mucosas e cascos despigmentados, além de outros caracteres que denotem a influência da Bergamácia; pelagem vermelha - totalmente vermelha e outras características que denotem a influência da Morada Nova; pelagem preta - totalmente preta e outras características que denotem a influência da Somalis Brasileira e pelagem chitada ou malhada - caracteriza-se por uma pelagem branca com manchas pretas e/ou vermelhas, em diferentes tonalidades, ao longo do corpo. Raça de porte grande, com alto potencial para crescimento, boa fertilidade ao parto e prolificidade entre 1,2 e 1,4. Em geral, o peso das fêmeas adultas varia de 45 kg a 60 kg e os machos podem atingir cerca de 130 kg. Animais adaptados as condições edafoclimáticas da zona Semi-Árida da Região Nordeste porém, exigentes quanto as necessidades nutricionais. Pele de qualidade boa.

Aptidão - Carne e pele.

3. Somalis Brasileira

Origem - A raça pertence ao grupo dos ovinos de "garupa gorda", originária do "corno da África", região formada pela Etiópia e a Somália, tendo como ancestral remoto o ovino Urial. Sua introdução no Brasil ocorreu em 1939 por criadores do Estado do Rio de Janeiro. Entretanto, os animais não se adaptaram ao clima e foram levados para o Nordeste onde se encontram disseminados particularmente nos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte.

Características - corpo de pelagem branca com cabeça, em geral, preta mas, a cabeça vermelha é admissível. A cor da pelagem da cabeça pode se extender ao longo do pescoço. O Somalis é também denominado "cabeça preta". Animais de porte médio, deslanados, mochos, rústicos e muito bem adaptados as condições edafoclimáticas da zona Semi-Árida do Nordeste Brasileiro. Boa fertilidade ao parto e prolificidade entre 1,3 e 1,4. Em geral, os machos adultos pesam de 60 kg a 80 kg e as fêmeas adultas de 32 kg a 50 kg. Porte médio e apresenta bom rendimento de carcaça devido a leveza da ossatura. Especialmente indicada, como linha paterna, para cruzamento com fêmeas Sem Raça Definida (SRD) na zona Semi-Árida do Nordeste. Pele de qualidade boa.

Aptidão - Carne e pele.

4. Cariri

Origem - Cariris Paraibanos, zona semi-árida da Região Nordeste, daí sua denominação. De acordo com técnicos e criadores da região, teria ocorrido uma mutação dominante em indivíduos oriundos de rebanhos das raças Santa Inês e Morada Nova cruzados com animais da raça Barriga Preta (Black-Belly).

Características - A pelagem é preta, com o ventre e a parte interna dos membros e pescoço baia. Apresenta na cabeça uma linha lacrimal, desde as bordas oculares até as narinas, na cor baia. Os machos Cariri quando cruzados com fêmeas de outras raças deslanadas, independente da pelagem, transmitem de forma consistente, a sua progênie o seu fenótipo. Apresenta porte médio; os machos adultos pesam de 70 kg a 80 Kg e as fêmeas de 40 kg a 50 Kg. Apresenta fertilidade ao parto elevada e aptidão materna boa. São rústicos e adaptados a zona semi-árida da Região Nordeste.

Aptidão - Carne e pele.

5. Dâmara

Origem - Ásia Oriental e Egito, sendo levada para Angola e Namíbia. É encontrada, principalmente, no noroeste da Namíbia (Kaokoland) e ao sul de Angola onde foi mantida livre da influencia de outras raças. O nome da raça é derivado da região onde originalmente foi encontrada (Gross Damaraland). No Brasil, a raça é popularmente conhecida como "Rabo Largo".


Características - Apresenta uma grande variedade de pelagem, porém todas aceitas. A pigmentação da pele é essencial e é o único requisito feito em relação à pelagem. Apresenta porte médio, com corpo longo e medianamente profundo. É muito rústica, sendo fértil mesmo em regiões edafoclimáticas desfavoráveis. Habilidade materna boa.
 
Aptidão - Carne.

6. Dorper

Origem - A Dorper é uma raça Sul Africana desenvolvida nos anos 30 a partir de animais das raças Dorset e Blackheaded Persian (originada da Somalis). Foi desenvolvida para regiões semi-áridas extensivas da África do Sul, a partir de cruzamentos de ovelhas Blackhead Persian com carneiros chifrudos Dorset, o que resultou em cordeiros Dorper brancos. A diferença de cor é simplesmente um fato de preferência de cada criador. Cerca de 85% dos membros da Associação Sul Africana de Criadores da raça Dorper criam animais de cabeça preta. Esta raça é numericamente a segunda maior na África do Sul e está difundida em muitos países ao redor do mundo.

Características - A raça apresenta animais tanto de cabeça negra (Dorper) como de cabeça branca (White Dorper). É uma das mais férteis raças de ovinos sem chifres, com bom comprimento corporal e cobertura de pelos e lã claros e curtos. Apresenta excepcional adaptabilidade, robustez e excelentes taxas de reprodução e crescimento (cerca de 36kg - entre três meses e meio e quatro meses de idade), tanto quanto boa habilidade materna. Sob condições extensivas o ganho diário é de cerca de 81 a 91g por dia. Foi demonstrado em experimento, ganho médio diário de 160g/dia durante o teste e ganho médio diário por dia de idade de 203g/dia.

Aptidão - Corte.

7. Hampshire Down

Origem - A raça Hampshire Down teve como berço os condados de Wilts, Hants e Dorset, no sul da Inglaterra. Os seus ancestrais eram ovinos primitivos que pertenciam a duas raças: Wiltshire e Berkshire Knots. Os Wiltshire eram grandes, com cara e patas sem lã e com chifres recurvados para trás, os Berkshire Knots possuíam a cara e as patas negras. Ambas apresentavam animais de corpo estreito, com pernas longas, prolíferos, rústicos mas com pouca cobertura muscular. Procurando melhorar a aptidão de corte destes ovinos, os criadores aperfeiçoaram o sistema de alimentação e iniciaram os cruzamentos com a raça Southdown, que foi introduzida nos rebanhos Wiltshire e Berkshire no início do século XIX. A partir de 1845 o conceito de precocidade, qualidade e engorda modificou o sistema de criação, iniciando o aperfeiçoamento desta raça, cujo principal cultor na época foi Mr. Wm. Humphries, que conseguiu fixar um tipo bastante uniforme mediante o emprego de consangüinidade. Em 1889 foi criada na Inglaterra a "HAMPSHIRE DOWN SHEEP BREDERS ASSOCIATION", com sede em Salisbury, e em 1890 editou-se o primeiro Flock Book do Hampshire Down.

Características - Ovino de tamanho grande, conformação harmoniosa e constituição robusta, compacto e musculoso, evidenciando a primeira vista grande definição racial e sua especialização como produtor de carne. É um animal que denota vivacidade, agilidade e desembaraço. Velo com boas extensões, cobrindo bem o corpo, parte da cabeça e membros, até a altura dos cascos, deixando descobertos os joelhos , que são cobertos por pêlos pretos. O velo é denso, mas de mechas curtas e de pouco toque. O diâmetro médio das fibras de lã varia entre 27 e 31 micrômetros. A lã é branca. As mechas atingem um máximo de 10 cm nos animais de plantel, e 5 a 7 cm nos animais de rebanho. As ondulações são irregulares e pouco nítidas. Há grande tendência ao aparecimento de fibras negras entremeadas no velo, sendo mesmo admissível no pescoço, perto da cabeça, e extremidades; o excesso é considerado defeito. Raça especializada na produção de carne; precoce: cordeiros bem alimentados atingem 35 kg de peso vivo aos 3 ou 4 meses, com rendimentos de carcaça de 45 a 50% com pesos de 14 a 18 kg; carcaça de boa qualidade; boa fertilidade e prolífera, atingindo índices de nascimento de 140%.
Aptidão - Corte.

8. Ile-de-France

Origem - O berço da raça é a França, na região da bacia parisiense, denominada Ile-de-France. A partir de 1816 técnicos franceses iniciaram cruzamentos de ovelhas Merino Rambouillet com reprodutores New Leicester (Dishley) importados da Inglaterra. O objetivo era obter um ovino que reunisse a qualidade laneira do Merino com a aptidão de corte do New Leicester. Os cruzamentos foram dirigidos por August Yvart, Inspetor Geral do Estado e professor da Escola Nacional de Veterinária de Alfort, daí a raça ser também conhecida inicialmente por raça de Alfort. Em 1875 participou da Exposição de Paris sob a denominação de Dishley-Merino. Em 1920 a raça recebeu uma infusão de sangue Merino Cotentin, com a finalidade de eliminar pigmentos escuros da pele do focinho. Em 1 de fevereiro de 1922 foi criado o Flock Book, sendo que a raça veio a receber a denominação definitiva em 23 de fevereiro de 1923, quando da fundação do Sindicato dos Criadores da Raça Ile-de-France, em consideração ao nome da região de origem.

Características - É um ovino de porte grande, constituição robusta e conformação harmoniosa, típica do animal produtor de carne. Atualmente é considerada uma raça de duplo propósito, com um equilíbrio zootécnico orientado de 60% para a produção de carne e 40% para a produção de lã. Velo branco, de pouca extensão, pesando em média 4 kg nas fêmeas adultas e de 5 a 6 Kg nos machos adultos. Mechas densas, de secção quadrada, com o comprimento médio de 8 cm. O velo deve ser denso e uniforme. Cobre a cabeça até a linha dos olhos, guarnecendo as ganachas e o bordo posterior das faces, deixando totalmente a descoberto as orelhas e a cara até os olhos, inclusive. Cobre bem o ventre, o peito e os membros até os joelhos e garrões. O diâmetro médio das fibras de lã varia de 23 a 27 micrômetros. Lã untuosa, provida de suarda de cor amanteigada (suarda branca é mais rara). Os cordeiros podem ter lã curta na cara, chanfro, nos membros posteriores abaixo dos garrões e, nos borregos, sobre a pele do escroto. O rendimento ao lavado é de 53 a 55%.

Aptidão - Mista.

9. Suffolk

Origem - Oriunda dos condados de Norfolk, Cambridge, Essex e Suffolk, no sudoeste da Inglaterra, foi formada a partir do cruzamento de carneiros Southdown com ovelhas selvagens de Norfolk. Estes ovinos nativos caracterizavam-se por terem membros pretos, serem ambos os sexos aspados. Eram muito rústicos, ativos de velo leve e conformação defeituosa, de esqueleto forte e membros compridos, mas muito prolíficos e, desde a antiguidade, eram muito apreciados pelo sabor de sua carne. A influência da raça Southdown, usada desde 1800 até 1850, determinou o desaparecimento dos chifres, melhorou a conformação e precocidade, e foi fixado o tipo por cruzamento e seleção. Desde o ano de 1810 foi considerada como raça, denominando-se primeiramente como Southdown Norfolk. Em 1859 a Associação de Agricultura admitiu exemplares para concorrerem nas exposições agrícolas e, em 1886 foi fundada a Sociedade de Criadores de Ovinos Suffolk (Suffolk Sheep Society) cuja sede é em no condado de Suffolk.


Características - O Suffolk é um ovino de grande desenvolvimento corporal, de constituição robusta e de conformação tipicamente para corte. O seu corpo comprido e musculoso, as extremidades desprovidas de lã e revestidas de pêlos negros e brilhantes. A postura de sua cabeça e formato das orelhas, fazem do Suffolk um ovino inconfundível. Velo de pouca extensão, pois não cobre a cabeça e os membros abaixo dos joelhos e garrões. A barriga tem que ser bem coberta de lã. Possui boa densidade, mas não tem boa formação de mechas, que são curtas. Velo de pouco peso, e pouca qualidade, com poucas ondulações e áspero. Deve ser livre de fibras pretas, a não ser na zona de transição entre os pelos e a lã, ou seja, no pescoço e patas. As fibras de lã de diâmetro médio de 25 a 29 micrômetros. Grande capacidade de adaptações a diferentes climas. Rústica, mas necessita de boa alimentação. Muito precoce. Muito prolífera, com índices de nascimento de até 165%. Parto fácil, principalmente por causa do formato longo e estreito da cabeça dos cordeiros ao nascerem. Cordeiros com grandes ganhos de peso ao dia, até 450 gramas. Ótimo rendimento de carcaça, 50 a 60%. Carcaça de ótima conformação e com pouca gordura externa. Os carneiros têm um libido muito forte. As ovelhas têm muita aptidão materna. Os cordeiros nascem inteiramente pretos, e vão branqueando até os 4 a 5 meses de idade. Os machos adultos atingem e ultrapassam facilmente os 150 Kg. A lã tem muita resistência, o que a torna apta para a fabricação de carpetes, estofados e forrações.

Aptidão - Corte.

10. Texel

Origem - A raça Texel é originária da ilha de mesmo nome, na Holanda, cujo solo é em sua maioria arenoso, sendo em parte acima e em parte abaixo do nível do mar (polder). A vegetação era muito pobre e os antigos ovinos aí existentes eram de pouco desenvolvimento, tardios, pequenos, não eram prolíferos, de velo leve e lã de mediana qualidade, entretanto a sua carne era magra e saborosa. Em fins do século XIX e início do século XX a ovinocultura da ilha começou a sofrer modificações. Graças ao emprego cada vez maior de adubação nos solos da ilha, o que veio a proporcionar melhores pastagens, a alimentação dos ovinos melhorou muito. Por esta mesma época os criadores passaram a cruzar as antigas ovelhas locais com carneiros de raças inglesas. Segundo a tradição oral da região, provavelmente foram utilizados reprodutores Leicester, Border Leicester e Lincoln, sendo que também é provável que tenham feito algum uso de carneiros Southdow, Hampshire e Wensleydale. Entretanto, de todas as raças utilizadas, parece que a Lincoln é a que mais influenciou na formação do Texel. Depois de certo tempo de experiência de cruzamentos, os criadores voltaram a utilizar os reprodutores puros da antiga raça da ilha. Graças ao melhoramento da alimentação e mais especialmente ao trabalho bem orientado de um grupo de ovinocultores, que entre outros procedimentos empregaram um bem adequado método de seleção, surgiu na ilha uma nova raça Texel, tal como conhecemos atualmente.

Características - Ovino de tamanho médio, tendendo para grande, muito compacto, com massas musculares volumosas e arredondadas, constituição robusta, evidenciando vigor, vivacidade e uma aptidão predominantemente para corte. Atualmente é considerada uma raça de carne e lã, pois a par de uma carcaça de ótima qualidade e peso, produz ainda apreciável quantidade de lã. Velo de pouca extensão, deixando completamente sem lã a cabeça e os membros dos joelhos e garrões para baixo, geralmente nem chega à altura dos joelhos e garrões. Cobre bem a barriga. Atinge em média 5 Kg de peso, mechas com poucas ondulações e terminações com alguma ponta. O diâmetro médio das fibras de lã varia de 27 a 30 micrômetros. A lã é branca com uma suarda um pouco cremosa, com rendimento ao lavado de 60%. Produz uma ótima carcaça, com gordura muito reduzida. Em condições de pastagens, entre os 30 e 90 dias de idade, os cordeiros machos têm ganhos de peso médio diário de 300g e as fêmeas de 275gramas. Aos 70 dias de idade machos bem formados atingem 27 kg e as fêmeas 23 kg. Prolífera, pois atinge índices de nascimento de 160%, tendo atingido na França índices de 190 até 200%. Os carneiros atingem pesos de 110 a 120 kg e as fêmeas adultas 80 a 90 kg

Aptidão - Corte.


 



Fonte: Embrapa Caprinos

 

Frigorifico Cordeiro Brasileiro
Estrada da Tairana s/n
Cep 19043-140
Presidente Prudente - SP
Fone (18) 222 0261