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Ovinocultura cresce 31,5% no Mato Grosso do Sul e dá espaço à profissionalização
O rebanho de ovinos e de caprinos de Mato Grosso do Sul saltou de aproximadamente 380 mil para mais de 500 mil cabeças nos últimos seis anos, registrando aumento de 31,5%. Considerando-se o número expressivo de animais na região do Pantanal, presentes em praticamente todas das propriedades, e a dificuldade de estimativa desse plantel, acredita-se que o montante de ovinos seja bem maior. Diante do crescimento na atividade e as potencialidades da ovinocaprinocultura no Estado e também no Centro-Oeste, foi aprovada, pelo Ministério da Integração Nacional, a liberação de recursos para a construção das instalações que darão suporte às atividades da Rede de Difusão Empresarial da Caprinocultura e Ovinocultura do Cerrado (Redecoc).
A rede é um projeto da Embrapa Gado de Corte de Campo Grande, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, em parceria com a Embrapa Caprinos (Sobral - CE) e tem o objetivo de desenvolver a criação de ovinos e caprinos na região central de Mato Grosso do Sul.
Os recursos aprovados totalizam R$ 855 mil e serão utilizados na construção de curral, galpões de reprodutores e matrizes, alojamento com salas de aula e uma casa. O prazo para a conclusão das obras é de 180 dias.
Centro-Oeste
De acordo com o Anuário da Pecuária Brasileira (Anualpec 2006), a região Centro-Oeste apresentou um crescimento da ordem de 51,6% no efetivo do rebanho ovino de 2000 a 2006. Já em MS este crescimento foi de 31,5%. Em decorrência disso e também pela boa aceitação de consumo da carne ovina constatada junto à população local, em levantamento realizado pelo Sebrae-MS, a Secretaria de Estado da Produção e do Turismo (Seprotur) criou a Câmara Setorial Consultiva da Ovinocaprinocultura de Mato Grosso do Sul, em 2003, que hoje é reconhecida pela Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Caprinos e Ovinos, em âmbito federal.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Caprinos, sediado na Embrapa Gado de Corte, Fernando Reis, coordenador do projeto, a inauguração de um frigorífico específico para o abate de pequenos ruminantes na região de Campo Grande e a concessão de incentivos fiscais aos produtores pelo Governo estadual impulsionaram o desenvolvimento da atividade. "Falta, porém, articular a organização do setor para que se tenha escala de produção, regularidade de oferta, preços competitivos, além de cortes e embalagens que atraiam e facilitem a vida dos consumidores. A Redecoc pretende desenvolver soluções para os diversos elos da cadeia produtiva", afirma Reis. Desafios
O pesquisador da Embrapa acredita que por se tratar de uma atividade recentemente vislumbrada com potencial empreendedor e comercial, muitas dúvidas ainda persistem quanto ao custo de produção, sanidade, reprodução, melhoramento genético, alimentação e manejo geral do rebanho. Ele enumera os principais desafios tecnológicos para a consolidação da atividade em MS: um sistema produtivo condizente com a realidade local desenvolvido a pasto, com animais rústicos e adaptados, que proporcione retorno econômico superior à tradicional atividade da bovinocultura de corte; inserção estratégica da ovinocultura na integração lavoura-pecuária; manejo e/ou formas consistentes de combate à verminose e um sólido programa de melhoramento genético animal. "O projeto Redecoc pretende ser um instrumento para fazer com que a tecnologia chegue mais rápido aos beneficiários", conclui Fernando Reis.
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