Boletim do Cordeiro

Audiência pública aponta soluções para o setor da ovinocaprinocultura


 A cadeia produtiva de caprinos e ovinos, com seus desafios e oportunidades, foi tema de audiência pública, ontem, na Assembléia Legislativa do Ceará, em Fortaleza. O encontro teve como objetivo principal alertar os segmentos das cadeias produtivas para a necessidade da criação de políticas públicas do setor no Estado. Também buscou discutir as principais dificuldades enfrentadas pelo setor no Ceará.

Em 25 de setembro houve uma audiência na Câmara Federal que teve como objetivo a elaboração de um plano de desenvolvimento da cadeia produtiva da ovinocaprinocultura no País. Na ocasião, foi entregue um documento com sugestões para o setor, ao Ministério da Agricultura, Pecuária de Abastecimento (Mapa).

A audiência estadual visou discutir o mesmo tema. Trata-se de uma promoção da Embrapa Caprinos, unidade descentralizada da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura.

O evento marcou também a abertura da reunião anual do Comitê Assessor Externo (CAE), órgão que agrega os segmentos do setor, como os frigoríficos, pesquisadores, agricultores e órgãos públicos. O comitê se encarrega de monitorar a Embrapa Caprinos em seu planejamento e avaliação.

O diretor-executivo da Embrapa e presidente do Comitê, Kepler Euclides Filho, explica que “por meio do comitê, a Embrapa presta contas e recebe demandas. É assim que sabemos onde se precisa de mais esforços. Além disso, a empresa encontra parcerias no comitê”, explicou ele.

Dificuldades

De acordo com a chefe geral da Embrapa Caprinos, Maria Pinheiro Fernandes Corrêa, são várias as dificuldades enfrentadas pelo setor atualmente. “A falta de organização da cadeia produtiva no Estado e da capacitação e assistência técnica e, ainda, a falta de políticas públicas impedem o fortalecimento do setor”, diz.

Kepler Euclides garante que esses três pontos podem ser chamados dos “três pilares” para o crescimento do setor no Estado. Maria Pinheiro, porém, ainda acrescenta mais algumas dificuldades. “É preciso também que as tecnologias passem a chegar mais rápido aos produtores e que haja fiscalização maior, para evitar o abate clandestino dos animais, o que gera carne sem controle e sem qualidade garantida”.

Soluções

O secretário de Desenvolvimento Agrário do Estado (SDA), Camilo Santana, também presente à audiência, explicou que, atualmente, não está sendo implantado nenhum projeto no setor, pois a SDA está fazendo um diagnóstico dos programas já realizados, para buscar respostas sobre os resultados negativos.

O secretário justifica que, “no passado, vários programas só entregaram animais aos produtores, sem o acompanhamento adequado e a assistência técnica necessária”. “O nosso Estado tem um potencial muito grande, pelas suas características climáticas, mas a desorganização do setor impediu o seu crescimento. É preciso investimento dos vários segmentos, para padronizar a carne”, diz.

“Os restaurantes de Fortaleza importam carne de ovinos e caprinos do Rio Grande do Norte. A mesma coisa acontece com o leite de cabra. O Estado vizinho produz 10 mil litros por dia, enquanto o Ceará fica atrás”, frisa.

Números

De acordo com Maria Pinheiro, no Ceará, há três regiões com grande densidade de ovinos e caprinos: o Sertão dos Inhamuns, a região do Baixo Jaguaribe e a do Médio Jaguaribe.

“O Estado do Ceará apresenta um rebanho de caprinos e ovinos de 2,4 milhões de cabeças”, diz. Porém, a produção anual de carne desses animais, que é de 7 mil toneladas, ainda é insuficiente para atender à demanda interna, que é de 9 mil toneladas por ano. Hoje, o setor está gerando 25 mil empregos diretos.

Mais informações:
Embrapa Caprinos
Estrada Sobral/Groaíras, Km 04
Sobral
Telefone: (88) 3677.7000
www.cnpc.embrapa.br



Fonte: AN COPPENS

 

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