O desafio da produção de cordeiros 
O mercado nacional da carne ovina aumenta a cada ano. A expectativa é que o preço do produto baixe mais, a fim de que o produto chegue com facilidade à mesa do consumidor. O consumo per capita da carne do frango, por exemplo, é superior a 30 kg /ano e conta ainda com ofertas no supermercado, já que a demanda está muito aquecida, exigindo promoções.
O frango consegue isso devido à cadeia estruturada e à produção em larga escala já existentes. Enquanto isso, o mercado do cordeiro ainda está engatinhando.
Na maioria dos casos o ovinocultor inexperiente desconhece valores sobre o quilo do cordeiro e quanto vale criar uma ovelha, por ano, no sistema a pasto. É sugestivo que seja elaborada e divulgada uma planilha de todo o fluxo de caixa e todas as variáveis possíveis incluindo medicamentos, alimentação, funcionário, consertos extras etc.
Especificamente na região Sudeste, o cordeiro precisa ser confinado, pois as áreas de pasto para a engorda e a propriedade normalmente são menores. Além disso, o animal precisa de cuidados especiais para não contrair verminose, que é muito suscetível na região, devido à elevada umidade, quando comparada com a nordestina. A taxa de mortalidade vai além de 16%, segundo Siqueira et al., embora existam centenas de criadores ostentando números bem menores. Sem dúvida, a experiência levará à redução da taxa de mortalidade! É necessário praticar maior controle sobre o rebanho para evitar ataques de predadores e também escapar de problemas de manejo. A vantagem é que o ganho de peso de animais no confinamento (200 a 400 g/dia) é bem mais expressivo e interessante que o obtido na engorda no pasto (50 – 100 g/dia).
Diversidades
Analisando alguns confinamentos no país, é fácil verificar que a engorda de ovinos vem registrando sistemas de alto custo, mas tudo isso ainda é muito recente, exigindo mais estudos. Um bom sistema é o que leva a suplementação até o pasto e cada cordeiro recebe uma quantidade específica de concentrado de acordo com:
- o peso - 5% do peso vivo em matéria seca;
- a exigência nutricional;
- a qualidade do pasto.
Países como Nova Zelândia, Uruguai e Austrália são grandes produtores exclusivamente com sistema de criação a pasto. Uma vez que o Brasil é um dos maiores exportadores de carne bovina com o melhor preço do mercado, por que, então, o país não pode produzir um cordeiro a pasto com baixo preço de produção? Esta pergunta pode ser respondida de muitas maneiras. Os países citados, em boa parte, são homoclimáticos, enquanto que o Brasil apresenta mais de 40 situações climáticas diferentes.
Tamanha diversidade - que corresponde a uma incrível riqueza animal - exigirá, sempre, dezenas de modelos de cruzamentos, com formação de ecótipos para atender cada situação ou cada região. Isso significa riqueza para o país, segurança para o produtor, mas também significa maior necessidade de cuidados. Principalmente exige atenção com a atividade, levando os imitadores ao descalabro. Um país com tamanha diversificação determina que cada criador procure conhecer, profundamente, a sua realidade edafo-climática, para garantir sucesso na criação. Caso contrário, estará sempre ostentando elevados índices de mortalidade, ou apresentando animais medíocres.
O ambiente tropical é claro: existem duas estações, uma chuvosa, que proporciona boas e suficientes forragens; e outra que é seca, comprometendo a qualidade da alimentação. As forragens de clima tropical, por isso, apresentam níveis nutricionais inferiores às forragens de clima temperado e seu tempo de produção no período vegetativo é curto.
Por outro lado, o uso de gramíneas de alta qualidade e grande produção de massa verde, aliado ao manejo de pastagem e adubação corretas podem levar a bons resultados. Na época da seca a irrigação pode suprir o déficit hídrico, cujos projetos em malha são de custos atraentes. Por isso, a cada mês surgem novas implantações de projetos baseados em irrigação.
A genética
Um fator determinante é a genética. Os cordeiros mestiços ½ sangue com aptidão para corte seriam os ideais, pois a heterose, além de garantir entre 20-25% de ganho, também incrementa a precocidade, entre outras vantagens.
Na Austrália e Nova Zelândia o sistema de criação é específico, direcionado para as fêmeas. A desmama é feita entre os 90 e 120 dias. O cordeiro é enviado direto para o frigorífico, resultando em baixo custo. Este modo de criação envolve uma fêmea de raça de corte com habilidade materna provada e cruzada com outra raça paterna, de alto desempenho, que imprima precocidade e ganho de peso rápido.
Neste sistema o cordeiro receberia pasto de qualidade e concentrado via cocho-privativo (creep-feeding), subprodutos e eventuais substitutos das fontes nobres. O cordeiro permanece com a mãe até atingir 120 dias ou estar pesando entre 30 a 33 kg. Outra alternativa seria o desmame com 80 dias e a engorda a pasto com suplementação até o abate com 30-33 kg.
Esse sistema, porém, apresenta desvantagens como a falta de demanda de áreas para as pastagens no sistema rotativo, em que a lotação garanta o bom desempenho do animal. O manejo de pastagens com qualidade requer conhecimento técnico. Às vezes o sistema irá depender somente da época das chuvas, quando o sistema de irrigação for impossível.
Estes são os desafios a serem vencidos pelos produtores. O resultado é um só: produzir um cordeiro de alta qualidade, a baixo custo, criado de forma natural e terminado em sistema pastoril. Uma missão bem brasileira.
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Fonte:
Marcelo Barsante
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