Produtores recebem matrizes do projeto Troca de Ovinos 
| | | Nesta segunda-feira (19), o projeto Troca de Ovinos entrega 90 ovelhas prenhas a pequenos produtores de Campo Grande, Terenos e Rochedo. O projeto é desenvolvido por meio de parceria entre a Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (UNIDERP), a Fundação Manoel de Barros (FMB) e o governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo (Seprotur) e da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), com o apoio Câmara Setorial de Ovinocaprinocultura de Mato Grosso do Sul. A entrega será feita na Fazenda-Escola Três Barras da UNIDERP, às 16 horas.
O projeto Troca de Ovinos é desenvolvido em quatro fases. Na primeira, é feita a seleção de matrizes prenhes no Centro Tecnológico de Ovinocultura (CTO), localizado na Fazenda-Escola Três Barras da UNIDERP. Segundo os professores Fernando Miranda Júnior e Charles Ferreira Martins, responsáveis pelas atividades no CTO, a base de animais é de 300 matrizes nativas. No CTO, são realizadas avaliações genéticas dos reprodutores, matrizes e animais jovens para as características produtivas e reprodutivas, visando a maior produção de carne por hectare, em determinado tempo, a menores custos. "Os animais passam por uma criteriosa escolha de acordo com o desenvolvimento muscular, bom ganho de peso, boa capacidade de acabamento e adequado tamanho adulto, reduzindo os custos de manutenção, além da mensuração da capacidade reprodutiva e precocidade sexual", ressaltam.
Na segunda fase acontece a seleção e o treinamento dos produtores. Para participar é necessário ser pequeno produtor rural; preferencialmente morar na propriedade rural; utilizar mão de obra familiar; ter diversificação na produção; estar regular nos órgãos de fiscalização sanitária e fiscal; preferencialmente já ter tido contato com a ovinocultura; fazer parte da área de abrangência pré-determinada pelo programa; realizar curso de capacitação; assinar contrato de comodato no ato do recebimento dos animais e fornecer todo o apoio para o desenvolvimento do rebanho sob a orientação dos técnicos. Na terceira fase é feito o repasse dos animais e o acompanhamento técnico. Finalmente, após o período de tempo de três a quatro anos, os produtores devem devolver a mesma quantidade de animais que receberam, observando o padrão zootécnico e sanitário.
"Os objetivos principais desse projeto são contribuir para a diversificação e aumento da produtividade da pecuária de MS, propiciar inclusão social e econômica de pequenos produtores, assentados e agricultores familiares, incrementar o interesse pela ovinocultura no estado e auxiliar na concretização da produção de ovinos como mais uma alternativa de consumo de proteína animal. A associação com os produtores locais permitirá concorrência efetiva em um mercado com promissora capacidade de oferta", explica o professor Fernando.
De acordo com o professor Charles, que coordena o CTO da UNIDERP, a criação de ovinos nativos de MS deve ser incentivada, pois são animais bem adaptados ao meio regional. "Com a preocupação cada vez maior de desenvolver sistemas de produção com reduzido investimento e que se ajustem aos desafios do desenvolvimento sustentável, a criação do ovino nativos de MS vem como uma alternativa. As raças nativas desempenham um papel crucial no equilíbrio social e ecológico, e podem constituir a base de produtos locais de alta qualidade. Porém, os ovinos nativos de MS devido à inserção cada vez maior de raças exóticas em cruzamentos com esta, correm o risco de desaparecer. Por isso, hoje, no CTO, procuramos conservar a raça nativa, por meio de programas de melhoramento genético sustentável, dirigidos à eficiência global da raça e ao aumento da competitividade com relação a outros genótipos", acrescenta Charles.
Ovinocultura - Os ovinos em termos de produção animal, sempre foram uma espécie de grande importância para a humanidade, tanto pela produção de lã e pele, como pela produção de carne e leite. A ovinocultura é difundida em quase todas as regiões do mundo, sendo explorada como atividade de subsistência em algumas regiões, enquanto em outras se encontram sistemas de produção avançados como na Europa, Austrália, Nova Zelândia, Uruguai e Argentina. No Brasil, é uma atividade muito promissora, pois além de haver uma grande lacuna no mercado interno, o país apresenta os atributos necessários para também ser um grande produtor e exportador de carne. A produção de carne ovina vem aumentando, sendo estimulada pelo elevado potencial do mercado consumidor dos grandes centros urbanos brasileiros.
|
Fonte:
Ultima Hora News
|