Boletim do Cordeiro

Alimentação de Ovelhas


INTRODUÇÃO A economicidade da produção ovina é limitada pela ocorrência de apenas uma estação anual de nascimentos. Reduzindo-se o intervalo entre partos se aumentaria grandemente a rentabilidade da exploração. Os principais obstáculos a um sistema acelerado de parição são, a estacionalidade reprodutiva da espécie e a oferta nutricional. A estacionalidade pode ser evitada pela formação de linhagens de fêmeas com raças de baixa estacionalidade. Quanto à questão da oferta nutricional, surgem as alternativas de suplementação das fêmeas ou dos cordeiros, através da alimentação privativa. A suplementação dos cordeiros é necessária ao desmame precoce e permite a redução do desgaste com a lactação, especialmente com a diminuição do intervalo entre parto e cobertura para apenas três meses, em vez dos seis meses usuais. O objetivo do presente trabalho foi o de avaliar este efeito de "economia" sobre a performance reprodutiva de ovelhas expostas à monta precocemente, em novembro, de forma a se obter um intervalo entre partos de oito meses. MATERIAL E MÉTODOS Foram utilizadas 80 ovelhas, expostas à monta do dia 25/02/1996 até 25/04/1996 e depois novamente do dia 13/11/1996 até 08/01/1996. Por ocasião da primeira estação de nascimento, que ocorreu do dia 21/07/1996 até 02/08/1996, as fêmeas paridas foram separadas em 2 grupos, com ou sem alimentação privativa para os cordeiros. A alimentação das ovelhas foi baseada em pastagem de milheto (verão), silagem de milho (outono) e pastagem de aveia e azevém (inverno), sendo suplementadas, se necessário, com concentrados, de acordo com as recomendações nutricionais do NRC (1985), para as fases de mantença, início e final de gestação. Durante a fase de lactação, as ovelhas receberam silagem de milho, tiveram um pastejo controlado de 2 horas em pastagem de azevém e trevo e foram suplementadas com concentrado a base de milho, farelo de soja, farelo de trigo e farinha de carne (16% de PB e 75% de NDT), para atender as exigências nutricionais de ovelhas em início de lactação de acordo com o NRC. (1985). Os cordeiros em aleitamento, receberam concentrado a base de milho, farelo de soja, farelo de trigo e farinha de carne (20% de PB e 75% de NDT) por meio da alimentação privativa, que ficou disponível 24 horas por dia. A pastagem e as matérias primas para a fabricação da ração foram analisadas no laboratório de análises bromatológicas do Departamento de Zootecnia - SCA - UFPR, pelo método NIRS (Near InfraRed System). O desmame ocorreu quando os cordeiros atingiram 18 Kg de peso vivo ou 59 a 66 dias de idade. Foram avaliados peso e escore corporal no início da primeira estação de monta, no dia do parto e no início e final da segunda estação de monta, e semanalmente durante o período de lactação. A gestação foi diagnosticada por ultrassonografia. Foram observados ainda o tipo de parto (simples ou gemelar) e o peso ao nascer dos cordeiros resultantes da estação de monta realizada no período de anestro estacional. RESULTADOS E DISCUSSÃO Não houve diferença significativa entre ovelhas com cordeiros suplementados e não suplementados, no que diz respeito a peso e escore corporal, no momento do desmame, e no início e no final da estação de monta seguinte à suplementação ou não dos cordeiros. A fertilidade na estação de nascimentos seguinte à suplementação, também não variou significativamente entre ovelhas cujos cordeiros tiveram acesso à alimentação privativa (62,5%) ou não (67,5%). Um efeito da suplementação dos cordeiros, só se manifestou nas ovelhas amamentando dois cordeiros durante o período de alimentação privativa, pois aquelas que não tiveram seus cordeiros suplementados apresentaram escore corporal significativamente inferior ao das ovelhas de parto simples de ambos os tratamentos. Contudo, a fertilidade destas ovelhas na estação de monta seguinte, em período desfavorável, não foi afetada. A fertilidade observada na estação de nascimento correspondente à monta em fase de anestro estacional foi semelhante à relatada por outros autores (FOGARTY, 1992; RAWLINGS et al., 1987), havendo todavia, variações de ordem racial. É importante observar que, neste trabalho, os cordeiros foram desmamados precocemente, permitindo um período de recuperação de aproximadamente um mês a todos os animais, desta forma minimizando o efeito da lactação e elevando a taxa de fertilidade (DAWE, 1984). Além disso, o efeito da alimentação privativa, sobre peso e escore corporal e taxa de fertilidade, provavelmente foi mascarado, pelo fato de que, em todas as fases, as ovelhas foram alimentadas de acordo com suas necessidades nutricionais (NRC, 1985). Desta forma, todos os animais mantiveram peso e escore corporal adequados à atividade reprodutiva (GUNN et al., 1991; RHIND e McNEILLY, 1986). Além disso, o alto peso ao nascer dos cordeiros (4,93 kg), sugere ainda, uma superestimativa dos requerimentos de ovelhas em final de gestação, do NRC (1985). Mais estudos são então necessários, com animais em regime de criação semi-extensivo, em que as ovelhas não recebam suplementação alimentar, seja na forma de volumosos conservados, seja na forma de concentrados, e dependam essencialmente da produção forrageira. Nestas condições, o efeito da alimentação privativa, sobre a fertilidade, será provavelmente mais notável. É importante ressaltar ainda que, estas observações referem-se apenas às fêmeas. O efeito da alimentação privativa sobre o desenvolvimento dos cordeiros e sobre a viabilidade da desmama precoce para estes, deve ser analisado separadamente. CONCLUSÕES A partir destes dados pode-se concluir que, é fisiológicamente viável a obtenção de mais estações de parição ao longo do ano, reduzindo-se o intervalo entre partos para oito meses. Além disso, havendo alimentação adequada para as ovelhas, conclui-se também que a suplementação dos cordeiros não é indispensável para a implantação de um programa acelerado de parição, no que diz respeito à fertilidade das fêmeas. Este efeito da alimentação privativa, porém, pode ser mais significativo em situações de menor disponibilidade de alimento para as matrizes,. Finalmente, vale mencionar que a técnica de alimentação privativa é uma ferramenta valiosa na otimização da produção ovina, porém representa certo custo adicional, de modo que sua adoção deve ser resultado de uma criteriosa avaliação da relação custo-benefício. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1.DAWE, S.T. Effects of weaning and treatment with progestagen-PMSG or progestagen-ODB on fertility of the post partum ewe, In: REPRODUCTION IN SHEEP, editado por LINDSAY, D.R. e PEARCE, D.T. Cambridge, ed.Cambridge University Press, p. 332-334, 1984. 2.FOGARTY, N.M.; HALL, D.G.; DAWE, S.T.; ATKINSON, W. e ALLAN, C. . Management of highly fecund ewe types and their lambs for 8-monthly lambing. 1. Effect of lamb weaning age on ewe reproductive activity in spring. Aust. J. Exper. Agric., v.32, p.421-428, 1992. 3. GUNN, R.G.; MAXWELL, T.J.; SIM, D.A.; JONES, J.R. e JAMES, M.E. . The effect of level of nutrition prior to mating on the reproductive performance of ewes of two Welsh breeds in different levels of body condition. Anim. Product., v.52, p.157-163, 1991. 4. N.R.C. Nutrient Requirements of Sheep, AnonymousWashington,D.C. ed.National Academy Press, 6 ed. p. 30-32, 1985. 5. RAWLINGS, N.C.; JEFFCOATE, I.A. e HOWELL, W.E. . Response of purebred and crossbred ewes to intensified management. J. Anim. Sci., v.65, p.651-657, 1987. 6. RHIND, S.M. e McNEILLY, A.S. . Fullicule populations, ovulation rates and plasma profile of LH, FSH and prolactin in Scottish Blackface ewes in high and low levels of body conditions. An. Reprod. Sci., v.10, p.105-115, 1986.

Fonte: JOSÉ LUCIANO ANDRIGUETTO2, JOSÉ LUIZ DE SÁ3 , CRISTIANE OTTO2,

 

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