| Sistemas
de Acasalamento em Ovinos: Monta Natural e Inseminação Artificial
Prof. Adj. Sony Dimas Bicudo - Faculdade de Medicina Veterinária
e Zootecnia - UNESP - BOTUCATU
A ovinocultura no Estado de São Paulo
abandonou nos últimos anos, a condição periférica,
para constituir-se na principal exploração econômica
de muitas propriedades rurais e já desponta como atividade importante
no contexto econômico do Estado. Existe um bem estruturado sistema
de apoio técnico, representado pela Associação Paulista
dos Criadores de Ovinos (ASPACO), com cerca de 200 rebanhos cadastrados,
estimando-se um total de 240.000 cabeças de no estado de São
Paulo.
A reprodução na espécie ovina apresenta diversas
particularidades entre elas o fato da ovelha apresentar gestação
de cinco meses, sendo possível o acasalamento de animais entre
o primeiro e segundo ano de vida. Além disso os ovinos apresentam
estacionalidade reprodutiva com a concentração das ocorrências
de cios no final de verão e durante o outono. A temporada de nascimento
usualmente ocorre nos meses de inverno ou início da primavera.
Os ovinos apresentam um ciclo curto de produção, com a possibilidade
de cordeiros serem abatidos em seu primeiro ano de vida
Diversos sistemas de acasalamento podem ser empregados e na escolha daquele
que melhor convém, devem ser analisados o número de ovelhas
do rebanho e os objetivos da criação. O método a
ser empregado deve reunir vantagens como simplicidade, concentração
das atividades de manejo em um curto espaço de tempo, dar bons
resultados econômicos e permitir o aproveitamento máximo
do reprodutor.
A monta natural é o método mais simples e pode ser realizada
de forma livre, onde os carneiros são introduzidos junto às
fêmeas na proporção de 3%. Pode ainda ser realizada
de forma dirigida, onde as fêmeas receptivas são levadas
até a presença do macho para a prática da cobertura.
A monta natural é utilizada pela maioria das propriedades, por
exigir um menor padrão técnico, porém apresenta como
limitação a dificuldade no controle de doenças sexualmente
transmissíveis e menor velocidade no ganho genético dos
rebanhos.
No sistema de produção a manutenção de índices
satisfatórios de nascimento é um ponto inicial da cadeia
de eventos que resulta no lucro. Os crescentes custos de produção
na criação de animais, tem obrigado a um constante aperfeiçoamento
das técnicas para que haja uma maior produtividade por animal.
A lucratividade é maior quando gastamos menos para o mesmo nível
de produção, ou produzimos mais com os mesmos insumos. A
produtividade é maior quando há uma adequação
das técnicas de criação aliada a utilização
de animais geneticamente superiores. A seleção por critérios
genéticos, pode ser acelerado pelo uso intensivo de carneiros de
alta performance produtiva. A inseminação artificial permite
que o sêmen de um único ejaculado seja capaz de fecundar
até vinte ovelhas em cio.
Durante uma temporada de reprodução um carneiro utilizado
em monta natural produz em média 50 cordeiros. Com a utilização
da inseminação artificial com sêmen recém-colhido
este número pode facilmente ser multiplicado por 10 e permiti obter-se
500 cordeiros de um único reprodutor. Com inseminação
empregando-se sêmen congelado existem relatos de se obter até
12.000 cordeiros de um único pai cujo sêmen havia sido coletado
previamente e estocado ao longo da pré-temporada de acasalamento.
A inseminação com sêmen recém-colhido pressupõem
a obtenção do sêmen seguida de sua análise,
fracionamento e imediata deposição no genital da ovelha.
Nenhum artifício de preservação do material fecundante
é necessário neste caso. Na inseminação com
sêmen resfriado, adiciona-se solução conservante e
mantém-se o sêmen em temperatura de geladeira por períodos
superiores a 24 horas. Esta modalidade permite a estocagem do sêmen
por algum tempo e se necessário seu transporte a longas distâncias.
Sem nenhum exagero pode se afirmar que empregando-se esta técnica
o material fecundante colhido de um carneiro no Rio Grande do sul, pode
ser empregado em inseminações no extremo norte do pais,
mantendo-se suas características fecundantes. A terceira modalidade
em que se emprega sêmen congelado, permite uma estocagem a 196 graus
negativos por tempo indeterminado, ultrapassando certamente a décadas.
Essa grande vantagem é em parte contrastada pela necessidade do
emprego de mão de obra, métodos e equipamentos especiais
para sua realização. Para a obtenção de índices
superiores a 70% de gestação é necessário
que o sêmen após a descongelação seja colocado
diretamente no útero da ovelha, empregando-se para isto a técnica
de laparoscopia. As inseminações feitas com a deposição
do material fecundante na porção externa da cervix uterina,
só atingem índices satisfatórios quando se emprega
sêmen recém-colhido ou resfriado por até 48 horas.
A eficiência da técnica de inseminação artificial
esta ligada a fatores como adequação do manejo do rebanho,
que envolve aspectos sanitários, nutricionais e reprodutivos. A
sanidade do rebanho que é representada pelo controle e ou erradicação
de doenças infectocontagiosas e parasitárias, é condição
básica ao sucesso do programa e ótimo indicativo de bom
manejo. Nenhum rebanho mau nutrido ou mau alimentado apresenta resultados
satisfatórios de eficiência reprodutiva. Por outro lado,
a aplicação de técnicas de reprodução
assistidas como a inseminação artificial, requer o perfeito
conhecimento da condição reprodutiva do rebanho. Neste sentido
as fêmeas a serem utilizadas na inseminação artificial
devem possuir um histórico reprodutivo exemplar aumentando desta
forma as chances de obtenção de bons resultados. A inseminação
artificial requer a adoção de medidas auxiliares como a
sincronização do ciclo reprodutivo das fêmeas e o
adequado reconhecimento das fêmeas receptivas à cobertura.
O sêmen deve ser depositado no genital da fêmea em um momento
adequado para se obter a gestação.
A escolha da modalidade de inseminação artificial adequada
a cada propriedade, depende de diversos fatores que envolvem o status
econômico da exploração, o grau de tecnificação
já conquistado e a disponibilidade de mão de obra especializada.
A inseminação com sêmen recém-colhido requer
menor desenvolvimento tecnológico da propriedade e mão de
obra mediamente treinada. A utilização de sêmen resfriado
exige mais tecnificação, que no caso do emprego de sêmen
congelado deve ser maior tanto da propriedade quanto do técnico
inseminador.
Como modelo ideal a inseminação artificial com sêmen
recém-colhido tem sido de iniciativa individual de criadores. Programas
envolvendo sêmen resfriado ou congelado apresenta melhor resultado
ao ser implementados por grupo de criadores , por permitir a possibilidade
da utilização intensiva de reprodutores de altíssimo
valor econômico e genético, minimizando custos e ampliando
a abrangências dos resultados de melhoramento.
Frente a diversidade de opções e a real necessidade de buscarmos
constantemente o desenvolvimento tecnológico, torna-se indispensável
que os criadores se informem sobre a possibilidade da adoção
dessas práticas, os técnicos se qualifiquem para aplica-las
de maneira correta e as instituições de ensino e pesquisa
estejam preparadas para responder adequadamente a esta demanda.
|