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Tem
gente que cive de carneiro
A ovinocultura
é uma das mais antigas atividades do Homem, datada de 5.000 anos
antes de Cristo. Povos da Mesopotâmia, dos vales, montanhas e desertos
do Crescente Fértil, já criavam ovelhas, bem como chineses e tribos
da África. Os rebanhos persistem até hoje, desde minguados grupamentos
no Oriente até as mais modernas criações nos desertos da Austrália,
dos Estados Unidos e outras regiões do planeta. Os ovinos são vitoriosos,
porta-vozes da própria evolução humana.
No Brasil,
a criação encontra-se em plena expansão, embora muita gente imagine
que a atividade é nova, por ter sempre ocupado um magro espaço na
imprensa. Muitos até pensam que não passa de modismo, como ainda
pensam em relação à bovino-cultura.
Os ovinos,
no entanto, representam muito dinheiro. Analisando a ovinocultura
do país em várias regiões encontram-se várias situações e tipos
de exploração e oportunidades de gerar emprego com a atividade.
No Rio Grande do Sul, por exemplo - na região da fronteira (Uruguaiana)
- a Lei determina que todo empregado rural solteiro tem direito
a uma ovelha por mês, para abate e consumo da carne e confecção
de pelego. Já homem casado tem direito a duas ovelhas.
Também neste
Estado as enormes estâncias nos pampas têm como atividade principal
a produção de cordeiros para abate em quantidade e qualidade. Cabanhas
de seleção de reprodutores e matrizes de alto potencial genético
produzem animais que são vendidos a bons preços na Expointer (Esteio,
RS). Vale mencionar também, as propriedades de 15.000 e até 40.000
ovelhas, produzindo lã de ótima fibra, a qual movimenta lanifícios,
tecelagens, tosquiadores, etc, gerando empregos dentro e fora das
porteiras. Quanto dinheiro é movimentado por esta atividade?
Há os fornecedores
de equipamentos e insumos diversos, tais como: cercas elétricas,
pistolas dosificadoras, rações e minerais formulados nas exigências
nutricionais dos ovinos e uma infinidade de produtos voltados para
o setor.
No ramo da
carne, há os abatedouros, transportadoras e restaurantes próprios.
Ainda no setor da carne, existe um imenso mercado informal que abate,
vende, e consome milhares ou milhões de cabeças por ano. São milhões
de dólares!
Ao lado da
atividade, existem profissionais que vivem de ovinos como professores
de universidades, técnicos de registro, juízes, zootecnistas, veterinários,
empregados rurais, cabanheiros, técnicos agrícolas e comerciantes
de ovinos. Muitos empregos!
O Estado
de São Paulo multiplicou rapidamente seu rebanho e vai se firmando
como um pólo produtor de carne ovina, com cursos e simpósios, universidades
e órgãos do governo para orientar os iniciantes. Com 3,0 milhões
de cabeças, São Paulo já sabe que precisa chegar a 28 milhões, para
ganhar muito dinheiro com carneiros. Em Minas gerais existem confinamentos
gigantescos e novas associações regionais que se formam a cada dia.
No Centro-Oeste a euforia já está visível no Enipece outros eventos
singulares.
Quantas são
as pessoas do Nordeste que vivem da ovinocultura? Os Estados livres
da aftosa (Bahia e Sergipe) vendem milhares de animais por ano para
o Sudeste e Centro-Oeste, consolidando ou abrindo formidáveis planteis
nestas regiões, tendo em vista o fácil escoamento da produção -
tanto para o mercado interno como para exportações.
A indústria
do couro no sertão nordestetino sempre gerou muitos empregos, garantindo
dinheiro para o sertanejo. Os ovinos estão presentes e em feiras
livres e "coréias" de exposições, em todos 5 os Estados nordestinos.
É a "moeda viva" em grande parte de negócios.
Junto com
as exposições e feiras existem as leiloeiras e toda a uma indústria
desde barzinhos, vendedores de cabresto, roupas e artesanato. Animais
comuns convivem ao lado de esplêndidos espécimes de alta genética.
Isso é o Nordeste, onde a cabra e a ovelha a são pedras fundamentais
do desenvolvimento.
É a cadeia
da ovinocultura formando-se e se solidificando como atividade
pecuária séria. Para muitos, a ovinocicultura parece futebol: uma
paixão: mas para outros 3 é quase um fanatismo religioso!
O setor já
ganhou até linha de crédito para financiamentos em alguns bancos
e até uma revista especializada (O Berro) feita para promover desde
o pequeno até o grande criador. São milhares e milhares de assinantes
nos 4 cantos do país e até no o exterior. Até o "Canal do Boi" já
está tirando umas casquinhas, gastando hora sem que, de fato, transforma-se
em um "Canal do Ovino". Muito bom! As emissoras tradicionais de
TV, como a Globo (Fantástico) e outras, estão se acostumando a exibir
notícias sobre carneiros e bodes, ovelhas e cabras.
Muitas já
são as empresas de genética que fazem transferência de embriões
e coleta de sêmen. A tecnologia empregada é a mais avançada do mundo.
O Brasil caminha para ser o maior celeiro de cabras e ovelhas do
planeta e pode atingir um rebanho acima de 150 milhões de cabeças!
Outro mercado
que está apenas nascendo é o da exportação de animais e de material
genético para várias partes do mundo.
Afinal, o
Brasil tem raças interessantes esperando para serem descobertas
e exploradas pelos cientistas internacionais! O Santa Inês já despertou
o interesse de muita gente, bem longe do Brasil! Isso tudo tendo
em vista apenas a produção de carne, leite e peles - sem contar
com outros fabulosos campos de negócio envolvendo cabras e ovelhas.
Pensarem carneiro e cabrito é pensar em dinheiro vivo!
Assim, muita
gente já faz e muitos outros podem começar a repetir a frase que
diz tudo, com muito orgulho: "Eu vivo de carneiro".
Fonte:
Revista Globo Rural n° 64 -
Abril de 2004 - Marcelo Barsante Santos
- pág.52
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