No
Brasil, uma importante fonte de perdas econômicas na produção
de pequenos ruminantes são as infecções causadas pela verminose
gastrintestinal. Dentre os vermes que acometem caprinos e ovinos,
destaca-se o Haemconchus contortus, que é um parasito que se
alimenta de sangue.
Devido ao hábito hematófago,
animais com altos níveis parasitários poderão perder até 145
ml de sangue dia, conseqüentemente, após a infecção, os animais
desenvolvem um quadro de anemia grave, em um curto período de
tempo. As respostas imunológicas contra a reinfecção se desenvolvem
de maneira lenta e incompleta, deixando os rebanhos sujeitos
à reincidência das formas clínicas e subclínicas dessa parasitose.
O controle da verminose
de caprinos e oviinos, geralmente é realizado, através do uso
de anti-helmínticos, pertencentes a diversos grupos químicos,
na maioria das vezes, administrados sem levar em consideração
os fatores epidemiológicos da região, os quais, interferem diretamente
na população parasitária ambiental e, consequentemente, na reinfecção
do rebanho.
A maioria dos produtores
não adota o esquema de vermifugação estratégico, nem realiza
anualmente, de forma racional, a alternância dos grupos químicos
utilizados, com isso, os endoparasitos rapidamente desenvolvem
resistência às drogas disponíveis no mercado.
Atualmente a resistência
anti-helmíntica é considerada um dos principais entraves para
o sucesso dos programas estratégicos de controle de verminose.
É importante considerar que em rebanhos onde há problemas de
resistência anti-helmíntica, o prejuízo econômico ocasionado
pela verminose é mais acentuado, uma vez que além da queda na
produtividade do rebanho, os produtores ainda desembolsam recursos
financeiros para a aquisição de ant-helmínticos, cuja eficácia
é altamente comprometida, em função da resistência dos vermes.
Além disso, os resíduos
de compostos químicos eliminados com as excreções dos animais
tem sérios efeitos no meio ambiente, efeitos estes só aparentes
após o uso considerável. Em algumas situações, os resíduos poderão
entrar na cadeia alimentar humana, podendo ocasionar problemas
de saúde pública.
Considerando a importância
dos endoparasitos gastrintestinais na produção de caprinos e
ovinos, bem como os problemas acima apontados, no que tange
a resistência anti-helmíntica, a presença de resíduos químicos
nos alimentos e no meio ambiente, além dos aspectos econômicos
referentes aos custos dos vermífugos, torna-se necessário o
desenvolvimento de estudos que visem a busca de outras alternativas
complementares aos métodos tradicionais, que sejam de baixo
custo e menos prejudiciais à saúde humana e ao desequilíbrio
ambiental.
A comprovação experimental
e a conseqüente implementação de outras alternativas de controle,
deverá reduzir o número de vermifugações anuais. A redução da
pressão anti-helmíntica sobre os vermes, por sua vez, irá prolongar
a vida útil desses compostos, retardando o desenvolvimento da
resistência anti-helmíntica e a redução da presença de resíduos
químicos nos alimentos de origem animal. Este aspecto é de fundamental
importância, em virtude da pressão cada vez maior por parte
dos consumidores, por alimentos isentos ou com um mínimo de
resíduos químicos. O uso reduzido de compostos químicos, por
sua vez, implicará na redução da contaminação ambiental, motivo
de preocupação mundial.
Dentre as alternativas
que poderão auxiliar no controle da verminose dos pequenos ruminantes,
a identificação de animais resistentes, a identificação de fitoterápicos
com efeito anti-helmíntico, o uso de medicamentos homeopáticos
e o controle biológico através de fungos nematófagos predadores
de ovos e larvas dos vermes no meio ambiente, estão sendo pesquisadas
e se apresentam como as alternativas mais promissoras.
Fonte: www.clubedofazendeiro.com.br