Um
novo método de diagnóstico da artrite encefalite caprina
Por Raymundo Rizaldo Pinheiro,pesquisador da Embrapa Caprinos
A artrite encefalite caprina
(CAE) é uma infecção causada por lentivírus e é encontrada em
todos os continentes com alta prevalência nos rebanhos mais tecnificados
para a produção leiteira, causando consideráveis perdas econômicas
à produção caprina.
O
controle da CAE baseia-se no teste sorológico dos animais, seguido
de separação ou sacrifício dos soropositivos, associado à medidas
de manejo que visam a separação precoce das crias, alimentadas
artificialmente com colostro e leite tratados termicamente (56°C
por 60 minutos) ou sucedâneos do colostro e leite. Devido aos
custos menores e à praticidade, os métodos sorológicos são largamente
usados na detecção de anticorpos contra os lentivírus caprinos
(LVC), sendo a imunodifusão em gel de agarose (IDGA) o mais usado.
A eficiência
de programas de controle dos LVC depende da sensibilidade e especificidade
do teste diagnóstico, da freqüência de sua utilização em animais
de um determinado rebanho e no manejo utilizado neste mesmo rebanho.
Nos programas
de controle ou erradicação, testes com maior sensibilidade e especificidade
devem ser utilizados quando ocorrer uma redução substancial dos
animais soropositivos, testados pelo teste de IDGA, e quando a
taxa de soroconversão no rebanho é mantida, apesar de baixa.
Existe um
interesse crescente no diagnóstico sorológico dos LVC usando técnicas
rápidas, simples e de baixo custo. Com o objetivo de atender estas
necessidades a Embrapa Caprinos, juntamente com a Universidade
Federal de Minas Gerais e a Fundação Ezequiel Dias, estão desenvolvento
um novo teste para o diagnóstico da CAE: o Dot-Blot (DB). O DB
é um teste atrativo para aplicação de rotina, em virtude dos procedimentos
permitirem a realização de dezenas de ensaios em tira de nitrocelulose
para detecção de anticorpos com alta sensibilidade. Na tabela
a seguir foi comparado o DB com o IDGA e o ELISA.
Tabela 1-
Resultado do teste de soros caprinos pelo IDGA, ELISA-i e Dot-Blot
para o diagnóstico da infecção por LVPC.
Diante destes
resultados verificou-se que o DB é um teste com ótima sensibilidade
e uma boa especificidade. O DB foi superior ao teste IDGA e semelhante
ao ELISA-i. O protocolo do DB desenvolvido apresentou boa resolução
e reação inespecífica baixa além de um bom rendimento. Portanto,
o DB é um teste mais viável que a IDGA e o ELISA indireto para
utilização no controle desta infecção, pois além de ser mais sensível
que a IDGA, não necessita da indumentária tecnológica do ELISA.
É, também, mais barato que o ELISA e mais rápido que o IDGA podendo
ser utilizado em eventos (exposições, leilões, etc) ou até mesmo
no campo.
Fonte: www.clubedofazendeiro.com.br