| Por
Francisco Beni de Sousa (Pesquisador da
Embrapa Caprinos)
A Embrapa Caprinos tem gerado e adaptado
tecnologias eficazes para promover o desenvolvimento
do agronegócio da caprinocultura
e da ovinocultura brasileira, nestes 25
anos de sua existência. A coleta,
avaliação e seleção
de germoplasma forrageiro, especialmente
para uso por caprinos e ovinos, têm
mostrado resultados que demonstram que o
uso racional dos recursos forrageiros adaptados
e selecionados é viável. Combinados
com a pastagem nativa, esses recursos permitem
aumentar a eficiência e a sustentabilidade,
e ainda fortalecer o processo produtivo
do agronegócio da caprinocultura
e da ovinocultura.
A Pecuária do Nordeste depende, basicamente,
da pastagem nativa que teve a capacidade
de suporte reduzida em decorrência
do manejo inadequado da vegetação,
apresentando, consequentemente, baixo desempenho.
Contudo, o potencial para elevar a produção
animal é amplo, principalmente através
da manipulação da vegetação
e/ou através do uso de pastagens
cultivadas ou de pastagens com propósitos
específicos tais como as legumineiras,
as capineiras, e as cactáceas
Para formação de pastagens
cultivadas no Nordeste brasileiro podem
ser recomendadas as gramíneas dos
gêneros Cenchrus, Cynodon, Andropogon
e Urochloa. O capim-búfel (Cenchrus
ciliaris) possui várias cultivares
desenvolvidas na Austrália (Biloela,
Gayndah, Molopo), e no Brasil ( Áridus
e CPATASA 7754) além de ecotipos
existentes na Bahia e Norte de Minas Gerais.
Essas cultivares de capim búfel apresentam
uma produção média
de 4000 kg/há/ano com 8,5% de proteína
bruta e 43% de digestibilidade , além
de boa produção de sementes
e alta resistência à seca.
O capim-gramão (Cynodon dactylon),
cujo plantio é feito por mudas, apresenta
excelentes características agronômicas,
sendo uma boa opção para a
formação de pastagens cultivadas,
para o enriquecimento de pastagens nativas,
e para a produção de feno.
O capim-Andropogon (Andropogon gayanus)
cv. Planaltina e o capim-Corrente (Urochloa
mosambicensis) também se constituem
como opções à formação
de pastagens cultivadas, e para o enriquecimento
de pastagens nativas.
Na formação de banco de proteína
ou legumineira, a leucena é uma das
forrageiras mais promissoras para a região
semi-árida, principalmente pela capacidade
de rebrota durante a época seca,
pela adaptação as condições
edafoclimáticas (solo e clima) do
Nordeste e pela excelente aceitação
por caprinos, ovinos e bovinos. O uso da
leucena em banco de proteína para
pastejo direto ou para produção
de forragem verde, para produção
de feno e de silagem, para o enriquecimento
da pastagem nativa e da silagem de gramíneas,
e para a produção de sementes,
mostra-se como uma alternativa viável
para a agropecuária.
O guandu (cultivar Taipeiro) e a cunhã
também podem ser usadas na formação
de banco de proteína, e também
para as outras formas de uso da leucena.
As leguminosas nativas, como a sabiá,
a jurema preta, o juazeiro, o carquejo,
e a camaratuba podem ser também usadas
como bancos de proteína e para produção
de feno. Leguminosas como a catingueira
e a canafístula também podem
ser usadas para a produção
de feno. A jurema preta e jucazeiro, além
de manterem as folhas, também frutificam
em plena época seca, sendo esta folhagem
e os frutos muito apreciados pelos caprinos
e ovinos. As leguminosas introduzidas (leucena,
cunhã e guandu) apresentam sob condições
naturais de chuva uma produtividade de 4000
a 6000 kg/há/ano, já as nativas
(sabiá, jurema preta,, jucazeiro,
carquejo, camaratuba, catingueira, canafístula)
produzem de 1200 a 2400kg/há/ano.
A formação de capineira, à
semelhança do banco de proteína,
é de fundamental importância
em qualquer sistema de produção
pecuário, o que irá permitir
uma alta produção quantitativa
e qualitativa de forragem ao longo do ano.
Na formação de capineira,
o capim elefante com várias cultivares
é a forrageira mais cultivada no
Nordeste. Outras gramíneas, tais
como Canarana erecta lisa e as cultivares
Tobiatâ, Tanzânia, Mombaça
além do sorgo, do milheto, e da cana
de açúcar, são também
opções viáveis no Nordeste.
Para determinadas condições
edafoclimáticas existentes no semi-árido,
outra opção viável
é o cultivo de cactáceas.
No Nordeste são cultivadas duas espécies
de palma: a Opuntia ficus-indica, com as
variedades gigante e redonda, e a Napolea
cochenillifera, com a variedade miúda
ou doce. O consórcio de culturas
anuais com as cactáceas deve ser
usado como forma de diversificar o uso da
área e de reduzir custos. Uma alternativa
para as áreas onde não é
viável o cultivo da palma forrageira,
pode ser cultivada a melancia forrageira.
Outras plantas, como a mandioca e a maniçoba,
podem ser usadas na alimentação
animal. A mandioca pode ser na forma de
raspa das raízes secas ao sol, e
a parte aérea dela e da maniçoba
pode ser fenada ou usada para melhorar a
silagem do capim elefante.
O mais importante dessas forrageiras é
que elas podem ser cultivadas usando apenas
adubo orgânico, adubação
verde, restos de culturas, cobertura morta,
ou compostos orgânicos com uma produção
de 4,0 a 8,0 toneladas/hectare/ano de forragem
(matéria seca comestível)
com qualidade e com sustentabilidade para
caprinos e ovinos.
As plantas forrageiras também podem
ser usadas em sistemas intensivos (com irrigação
e com adubação) de produção
de forragem para a produção
de carne e de leite. Nesses sistemas são
recomendados os capins Gramão, Búfel
Aridus, Elefante, Tanzânia e Canarana
lisa, além das leguminosas Leucena,
Cunhã e Guandu
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