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A caprino-ovinocultura consolida-se como
o segmento de maior importância não
apenas para a economia agrícola do
País, como oportunidade de gerar
emprego, renda, educação e
bem estar da população, contribuindo
para combater a fome, principalmente no
Nordeste, onde apresenta-se com grande potencial
para substituir a bovinocultura, seja de
corte ou de leite.
Dessa
forma, a caprino-ovinocultura, como atividade
a ser implantada em áreas carentes
de recursos, supriria as necessidades imprescindíveis
de proteína animal na fase de desenvolvimento
infantil, através da disponibilidade
de carne e leite, podendo reduzir a alta
taxa de mortalidade, proporcionando fonte
de renda às famílias com reversão
dos padrões de pobreza.
As
possibilidades do setor são muito
grandes face ao crescente consumo de produtos
caprinos e ovinos no mercado interno e as
consultas recebidas por entidades econômicas
sobre as possibilidades de exportação,
com o mercado se mostrando próspero
tanto no Brasil como no exterior.
O
Nordeste brasileiro detinha no ano de 2001,
do efetivo total de 14.638.095 de ovinos
e de 9.537.439 de caprinos, 55,6% do rebanho
ovino e 93,7% do caprino. Todavia, a caprino-ovinocultura
vem sendo intensificada em várias
regiões do País, especialmente
na região Sudeste no que se refere
ao aumento da ovinocultura para a produção
de carne e pele e da caprinocultura para
a produção de leite.
A
introdução dos caprinos no
Brasil ocorreu no período colonial,
quando os portugueses trouxeram consigo
alguns exemplares. Em função
do clima mais favorável a maior concentração
desses animais ocorreu na região
nordestina.
Com
o advento das mudanças nas relações
comerciais, fossem internas ou externas,
as aberturas dos mercados foi propiciada,
e a atividade agropecuária, assim
como os demais setores da economia nacional,
passaram a otimizar as suas unidades produtivas,
com a finalidade de torná-las mais
competitivas.
Raças
O
caminho da seleção de raças
naturalizadas não foi seguido por
razões da velocidade de resposta
ao mercado emergente que era demandado e
mesmo por razões culturais. Assim,
as importações de raças
exóticas para o melhoramento genético
destas espécies favoreceram o crescimento
da atividade nos últimos anos. No
entanto, pouca importância foi dada
a aspectos sanitários, nutricionais,
reprodutivos, bioclimatológicos e
de sociabilidade animal, bem como o controle
dos custos de produção que
possam dar suporte ao processo de decisão
na cadeia produtiva, cujas ocorrências
resultam em conseqüências socioeconômicas
graves, não só referentes
a perdas de animais, assim como ao comércio
internacional de animais e produtos.
Segmentos
Na
caprino-ovinocultura nacional, distinguem-se
dois segmentos: o tradicional e o tecnificado.
Estes merecem ser abordados de forma diferenciada,
sendo uma de cunho social e o outro sob
a visão econômica, ainda que
apresentem características comuns
no que se refere ao manejo e alimentação
programada.
O
sistema de criação para os
pequenos ruminantes, geralmente depende
da região onde se encontra o rebanho.
Assim, a criação de modo extensivo
é o método mais usual no Nordeste,
devido suas condições geoclimáticas,
caracterizadas por apresentar áreas
de solos rasos e pedregosos, baixa capacidade
de retenção de água,
elevada evaporação, potencialidade
para erosão, altas temperaturas e
irregularidade de distribuição
de chuvas com baixo índice pluviométrico;
fundiária, com 79% dos rebanhos sendo
criados em propriedades com menos de 200
hectares explorando a vegetação
de caatinga como única fonte de forragem
e financeira, com uma renda média
mensal das famílias de R$158,00,
a mais baixa do País.
Freqüentemente,
na região nordestina, caprinos são
criados em pastoreio extensivo durante o
dia com alguma proteção do
ambiente natural à noite, de forma
consorciada, principalmente com ovinos,
para produção de carne e pele,
mas existem núcleos de criação
que fornecem animais de alta qualidade para
serem utilizados no melhoramento genético
de animais sem padrão racial definido
ou nativo, principais constituintes do rebanho
da região.
Custo
de produção se torna desafio
Um
grande desafio para o caprinocultor brasileiro
é a preocupação com
seus custos de produção que
ainda é objeto de estudo e preocupação
por parte de alguns, uma vez que rebanhos
estabilizados e em crescimento possuem custos
diferenciados, conseqüentemente aumentando
o custo por litro de leite produzido. Na
região Sudeste, este custo encontra-se
em torno de R$ 0,60 a R$ 0,95, enquanto
que no Nordeste gira em cerca de R$ 0,50
a R$ 0,70, isto pode ser percebido através
da incorporação de tecnologias
e o nível de alimentação
ou seja há predisposição
de gastos com rações comerciais
e outras fontes de alimentos não
produzidos na propriedade.
As
carnes caprinas e ovinas sobressaem-se já
algum tempo como uma grande opção
dentre as carnes vermelhas, seja por seu
valor nutricional ou por suas características
organolépticas.
Dados
do Banco do Nordeste evidenciam que a produção
de peles, de aceitação nacional
e internacional, tem correspondido cerca
de 20% do valor atribuído à
carcaça, instituindo geração
de renda para o criador e para o país.
Neste produto, o Nordeste se sobressai sobre
as demais regiões, pois são
mais valorizados no mercado pela maior elasticidade,
resistência e textura apresentadas,
prestando-se, assim, para um maior número
de produtos nas indústrias de vestuário
e de calçados.
Apesar
do reconhecimento de sua qualidade, as peles
sofrem grandes depreciações
na comercialização, devido
aos altos índices de defeitos que
são decorrentes de condições
inadequadas do sistema de produção
adotado, bem como nas fases de abate, conservação
e armazenamento. Tais defeitos desclassificam
40% das peles processadas.
Analisando-se
o sistema agroindustrial da caprinocultura
no Brasil, bem como seus principais estrangulamentos
tecnológicos nos seus diversos segmentos,
na pesquisa foi observado o distanciamento
entre algumas instituições
e os órgãos representativos
dos caprinocultores.
Técnicas
incrementam eficiência produtiva
Nos
últimos anos, foi gerada uma série
de técnicas que incrementaram a eficiência
produtiva dos rebanhos destas espécies
e melhoraram as condições
de trabalho, facilitando o manejo.
Independentemente
do sistema de criação e do
objetivo da exploração, a
caprino-ovinocultura encontra-se em intenso
crescimento e deverá contribuir de
forma significativa para o desenvolvimento
socio-econômico do País. Portanto,
esta atividade pecuária deve ser
racionalmente explorada, dentre outras técnicas
de manejo, também, em função
do monitoramento reprodutivo por assumir
um importante papel na tríade que
dá sustentáculo à exploração
zootécnica (sanidade-nutrição-reprodução).
Levando
em consideração que as principais
falhas reprodutivas consistem em óbito
da gestante e a expectativa da prenhez de
fêmeas que exibem um falso quadro
de gestação, faz-se necessário
implementar um tipo de diagnóstico
eficiente que minimize os prejuízos
na produtividade do rebanho.
A justificativa de um diagnóstico
precoce de prenhez é aconselhada
quando se quer, em um primeiro plano, diferenciar
fêmeas vazias de prenhas na seleção
de animais, o qual antige alvos secundários
nos quais incluem-se a valorização
na comercialização, permite
agilizar provas de fertilidade em plantéis
de seleção; facilita a sincronização
de cios; direciona o manejo nutricional
adequado segundo as categorias próprias
do estado fisiológico das fêmeas;
evita o abate de fêmeas prenhas; controla
a estação reprodutiva ou de
monta; identifica a idade reprodutiva média
do rebanho e, em regiões onde há
estacionalidade, adianta o período
reprodutivo.
Concluindo, a atividade cresce a olhos nus
porém, de forma desordenada, mesmo
que com todos os gargalos já identificados
e por assim ser faz-se necessário:
O envolvimento assíduo de todos os
elos da cadeia produtiva; organização
dos setores produtivos e consumidores; combate
a cartelização; descoberta
de novos nichos de mercados; conservação,
multiplicação e seleção
de raças autóctonas; normatização
sanitária e fiscal; qualificação
de mão de obra; especificação
de insumos; desenvolvimento de pesquisas
que busquem alternativas alimentares; entre
outras que envolvam as demandas enumeradas
pelos produtores.
A matéria foi elaborada por Dimas
Assis Bandeira, que é médico
veterinário da Emepa-PB e doutorando
em Ciência Veterinária da UFRPE
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