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Ovinocultura:
desafio e oportunidades para 2005
Adayr Coimbra Filho*
A ovinocultura, uma das mais tradicionais riquezas da pecuária
do Rio Grande do Sul, sempre desempenhou importante função
socioeconômica para a Metade Sul do Estado. Quer produzindo lã
para exportação e geração de divisas; oportunizando
empregos e renda para assegurar a permanência do homem no campo
e produzindo carne, quer fornecendo alimento básico das pequenas
e das grandes propriedade da região.
A lã, exportada em estado bruto e em diversos produtos manufaturados
(tops, fios e tecidos) abastecia importantes indústrias de tecidos
da Inglaterra, Alemanha e Itália, gerando mais de US$ 80 milhões
por ano, quando a produção da fibra atingia 35 milhões
de quilos.
Mais recentemente, com a retração do consumo mundial de
lãs, ocasionada pela grande expansão das fibras sintéticas,
formaram-se grandes excedentes da fibra ocasionando queda dos preços
e drástica redução do efetivo ovino mundial. Como
reflexo, o rebanho gaúcho, que no seu auge ultrapassava a 13 milhões
de cabeças, foi reduzido para menos de 4,0 milhões de cabeças,
enquanto a produção de lã despencou para menos de
12 milhões de quilos.
Hoje, com a duplicação dos preços, tanto da lã
como da carne ovina, a ovinocultura ressurge como uma das mais promissoras
atividades da agropecuária. É um dos poucos negócios
que conseguem aliar rentabilidade, com baixo risco e elevada liquidez,
mesmo no curto prazo.
Essas virtudes, aliadas às características de pequeno porte
e docilidade dos ovinos, o que facilita o manejo dos animais entre as
árvores, credenciam a ovinocultura como alternativa para integração
com cultivos vegetais, em regime de consorciação silvopastoril,
com o propósito de tornar os sistemas de produção
mais diversificados, dinâmicos e com maiores possibilidades de se
tornarem sustentáveis ao longo do tempo. Nesse contexto, a integração
da ovinocultura, atividade tradicional da Metade Sul, com as novas culturas
que estão se instalando na região, em particular a fruticultura
e o florestamento (segmentos que contam com elevadas somas de recursos
nos próximos anos), seria vantajosa sob vários aspectos.
Os inconvenientes da elevada imobilização, do prazo de retorno
do capital e da inexistência de renda durante o período de
maturação dos cultivos vegetais (típicos de atividades
como a fruticultura e o florestamento) seriam compensados pelo curto ciclo
de produção da ovinocultura, pela pequena inversão
de capital e pelo seu rápido retorno, que possibilita a geração
de renda para o suporte financeiro dos primeiros anos de implantação
dos cultivos vegetais.
A integração animal/vegetal seria, também, uma estratégia
para intensificar e racionalizar o uso da terra (diminuindo a ociosidade
dos espaços entre árvores), com os propósitos de
agregar valor e de gerar renda adicional ao sistema. Além de contribuir
para a expansão mais equilibrada da fruticultura e do florestamento,
diminuindo seus impactos ambientas de médio e longo prazos, a integração
da criação ovina com esses dois segmentos se constituiria
em grande oportunidade para a reestruturação da cadeia produtiva
regional da ovinocultura.
Mais do que um desafio, a conquista desse espaço é de fundamental
importância para o futuro da criação de ovinos na
Metade Sul do Estado. Uma grande oportunidade não pode ser desperdiçada.
* Engenheiro Agrônomo da ASCAR-EMATER/RS
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